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Archive for June, 2010

Porto Alegre ainda apresenta desnível em calçadas e falta transporte para as pessoas com dificuldade de locomoção

 

por João Henrique Willrich e Débora Fogliatto

 

Calçadas em estado precário, ônibus sem suporte para cadeirantes. Esses são alguns dos problemas de longa data da cidade de Porto Alegre quando o assunto é infraestrutura. Antigas questões persistem e causam transtorno para as pessoas com deficiência. Estimativas indicam que em torno de 25 milhões de pessoas no País possuem algum tipo de necessidade especial.

No Rio Grande do Sul, esse número chega a quase 200 mil. Apesar de Porto Alegre ser das capitais uma das que melhor atende necessidades dos deficientes, as reclamações continuam. O jornalista Gustavo Trevisi do Nascimento, 36 anos, teve paralisia cerebral, o que resultou em limitações motoras. Para se locomover no bairro Mont’Serrat, em Porto Alegre, onde mora, ele encontra dificuldades. Como não consegue levantar muito os pés, acaba tropeçando em buracos e falhas nas calçadas. Ao atravessar a rua, precisa utilizar rampas, devido à altura dos meio-fios. Quando estas não existem, ele demora e até mesmo cai tentando alcançar o outro lado. Raízes altas, mudanças de piso, revestimentos irregulares também o atrapalham e já ocasionaram diversos deslizes e quedas. “Preciso caminhar olhando constantemente para o chão, pois nunca sei quando haverá algum obstáculo em meu caminho”, queixa-se.

Gustavo expressa essas e outras críticas ao poder público em sua página na Internet, chamada Blog da Acessibilidade. “Poucas pessoas possuem a autonomia que eu tenho. Não apenas os deficientes sofrem com essa situação, mas também as pessoas idosas que enfrentam grande dificuldade de locomoção”, alerta Gustavo.

Outro cidadão que sofre devido aos mesmos problemas é João da Silva, 32 anos. A sua principal reclamação é a falta de ônibus coletivos com equipamento adequado ao ingresso de pessoas em cadeira de rodas. “Um cadeirante demora muito mais para se locomover pela cidade, pois os ônibus que possuem o suporte adequado são poucos frente a toda frota. Às vezes passam três ônibus que não podem nos receber, então acabamos nos atrasando”, lamenta João. Em Porto Alegre, apenas as principais linhas oferecem aporte para cadeirante.

Mas não é só na Capital gaúcha que estes problemas persistem. Mesmo apresentando lacunas nos serviços oferecidos aos deficientes, Porto Alegre é uma cidade modelo nesse âmbito. De acordo com a prefeitura do município, 27% da frota de ônibus está preparada para receber deficientes, enquanto a legislação cobra apenas 10%. As lotações, ainda esse ano, sairão de fábrica com adaptação para cadeirante.

Há projetos encaminhados para melhorar a área central de Porto Alegre. Cerca de 180 novos rebaixamentos de calçadas estão previstos na área. “Esses serão facilitadores para circulação e travessia de rua segura de todos os pedestres, em especial aqueles com deficiência e mobilidade reduzida”, afirma João de Toledo, arquiteto e urbanista da Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social (Seacis). Está para ser votado na Câmara de Vereadores um projeto de lei chamado “Plano diretor de Acessibilidade”, criado pelo ex-prefeito José Fogaça. Essa lei viabilizará rotas acessíveis e caminhos sem obstáculos para qualquer cidadão.

No final do ano passado, Porto Alegre foi a primeira candidata a sede da Copa do Mundo de 2014 a assumir compromisso com a campanha de acessibilidade, promovida pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade). O projeto exige construções de acordo com o conceito de acessibilidade universal.

 

*Matéria publicada na edição de maio do jornal Hipertexto

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