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Archive for August, 2010

De 1947 a 1953, o desenhista Anélio Latini Filho e sua equipe passaram das 8h da manhã às 4h da madrugada diariamente produzindo cerca de 500 mil desenhos. Todo este trabalho foi o necessário para realizar Sinfonia Amazônica, o primeiro longa-metragem brasileiro de animação. O filme, inspirado em Fantasia, da Disney, reunia sete lendas amazônicas, e marcou o início da história das animações no Brasil.

De lá pra cá, mais 19 longas foram produzidos no país. Em 2003 foi criada a Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), com o objetivo de incentivar, apoiar e reunir os animadores brasileiros. Para Marta Machado, presidente da Associação, “há um grande interesse em produzir longas, e considerando as nossas condições culturais, o número já existente é bastante alto”. Além disso, as tecnologias digitais facilitaram o trabalho dos profissionais do ramo, visto que o equipamento se tornou mais acessível. No entanto, a indústria norte-americana ainda mantém o monopólio das produções do gênero. Para Otto Guerra, um dos principais animadores brasileiros, “os americanos acharam uma fórmula há muitos anos, e isso é mérito deles. Nós não termos feito o mesmo foi falha nossa, mas isso vai mudar em breve”.

A maior atenção da indústria ainda é voltada para a publicidade, devido à fácil comercialização e produção. Contudo, conquistas como a primeira série animada de televisão feita no Brasil, o Peixonauta, que obteve sucesso no mercado internacional, abriram muitas portas para o crescimento do ramo. De acordo com Otto, “o problema é que a televisão e o cinema têm um confronto histórico, e enquanto isso acontecer a TV que comanda, logo é muito mais barato importar do que comprar daqui”. Isso também prejudica a indústria no sentido do reconhecimento pelo público, que é levado a subestimá-la devido à ausência de animações brasileiras na televisão.

Para os que sonham em seguir a carreira da animação, há boas e más notícias. A produção é bastante demorada – demora no mínimo de dois a três anos para se completar um longa – e dificilmente o mercado brasileiro atingirá grandes proporções no âmbito mundial. “Eu não sou sonhadora a ponto de pensar que dominaremos o mundo, mas se conseguirmos dominar a nossa própria TV, já vai estar de bom tamanho”, diz Marta. Otto, que está produzindo seu terceiro longa-metragem, garante que o trabalho vale à pena. Seu segundo filme, Wood & Stock: sexo, orégano e rock’n’roll, ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais. Para ele, ter perseguido o seu sonho de infância foi recompensador: “minha mãe sempre me perguntava se eu tinha certeza de que era isso que eu queria. Mas quando eu comecei a ganhar dinheiro, era virou uma grande fã” brinca ele a respeito da falta de valorização ainda presente.

A ABCA já tomou iniciativas para mudar este cenário. É o caso das comemorações do Dia Internacional da Animação, 28 de outubro, realizadas em cerca de 400 cidades de todo o país, nas quais são exibidos principalmente curtas-metragens brasileiros. “Ano passado, já vimos bons resultados. Esperamos que este ano a repercussão seja ainda maior”, torce Marta.

*Matéria publicada na edição de Julho do Jornal Hipertexto

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