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Archive for the ‘Aleatório’ Category

            Se você ainda não assistiu a Quase Famosos (Almost Famous), corra até a locadora mais próxima. O filme, lançado em 2000, é até hoje um dos melhores que eu já vi. Eu e minhas colegas estamos fazendo um trabalho a respeito dele para a cadeira de Crítica da Mídia e, quanto mais tempo eu passo analisando-o, mais eu me apaixono por ele.

 

            O diretor Cameron Crowe conseguiu conciliar jornalismo, rock, amizade e amadurecimento de uma maneira inexplicável. O protagonista do filme, William Miller (Patrick Fugit), é uma representação do próprio diretor aos 15 anos. Assim como Miller, Crowe começou a escrever para a revista Rolling Stone muito jovem, e saiu em turnê com uma banda para realizar sua primeira grande reportagem, história contada no filme. Apesar de não explicitar essa relação entre o diretor e o personagem, o roteiro (também escrito por Crowe, pelo qual ele levou o Oscar) é carregado de uma sensibilidade em relação ao garoto, como se estivéssemos vendo os acontecimentos do seu ponto de vista.

            Além de mostrar o cotidiano da banda fictícia Stillwater em sua turnê no ano de 1973, o filme aborda os conflitos existentes entre os músicos e sua relação com William. Ao sair de sua vida monótona, na qual a única diversão era escutar vinis de rock e escrever sobre eles, e ingressar em uma viagem com seus ídolos, Will aprende muito mais do que como fazer uma boa matéria. Ele se apaixona, cria grandes amizades e conhece o mundo do rock’n’roll, que ele sempre admirara, mas do qual nunca havia participado de fato. Apesar de aconselhado por Lester Bangs (editor da revista Creem que acaba se tornando uma espécie de mentor para o garoto) a não se tornar amigo dos integrantes da banda, Will se deixa levar pelo entusiasmo, chegando a ser considerado parte da equipe pelos músicos.

           O filme manda uma mensagem sobre sinceridade, ingenuidade e aprendizado, todos representados na figura de Will, que realiza seus sonhos sem deixar de ser íntegro e idealista.

 

DICA: Após assistir a Quase Famosos – e, consequentemente, se apaixonar – aproveite para ver mais dois maravilhosos filmes de Cameron Crowe: Vanilla Sky (2001) e Elizabethtown(2005). E já acesse o site do diretor, que contém detalhes sobre os filmes, colunas feitas por Crowe para a Rolling Stone, sua biografia e livros.

 

Will (segundo à esquerda), as groupies e a banda Stillwater

Will (segundo à esquerda), as groupies e a banda Stillwater

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Verissimo

Duas semanas atrás, eu e meus colegas apresentamos um trabalho a respeito de um dos mais ilustres escritores e cronistas brasileiros, o  Luis Fernando Verissimo.

Ao pesquisar a vida e obra dele, eu não pude deixar de perceber cada vez mais a sua genialidade. Isso me chamou a atenção para o fato de que muitas vezes, quando começamos a aprender sobre algo ou alguém para uma reportagem, acabamos nos surpreendendo. Ano passado, na primeira grande reportagem que fizemos, eu e minhas amigas fomos até o Abrigo Marlene entrevistar alguns dos residentes, em sua maioria ex-moradores de rua procurando restruturar suas vidas. Isso me afetou de uma maneira incrível. Conheci pessoas que eram de classe média-alta e perderam tudo para o vício, homens com vivências que dariam um livro, mulheres que enfrentaram dificuldades que para mim só existiam na ficção. Foi um choque de realidade.

Me encantar com o mundo sobre o qual eu escrevo aconteceu muitas vezes novamente, em geral de maneira mais leve. E com o Verissimo não foi diferente.

Li diversos contos, crônicas, colunas, quadrinhos das Cobras, desenhos da Família Brasil e analisei o estilo do escritor. Percebi seu amor por comida, seu humor inteligente, sua linguagem que muitas vezes critica de maneira discreta. Ri com o suspense cômico do detetive Ed Mort, com o jeito gaudério do Analista de Bagé, com os otimismos da Velhinha de Taubaté, com os protestos de Dorinha. 

Mas nada do que eu escrever aqui – e nada do que eu escrever na vida, suspeito – vai transmitir tão bem o que eu quero dizer ou divertir tanto quem está lendo quanto trechos do próprio Verissimo.  Aproveitem:

 

Antes de mais nada, não obedeça a ordens. É comum o anfitrião sugerir, bem-humorado, alguma espécie de hierarquia no acesso ao buffet. Primeiro, as mesas deste lado ou daquele, primeiro os mais velhos, as autoridades, os mutilados de guerra, etc. Ignore-os. Seja o primeiro a saltar da mesa, mesmo fora de ordem. O máximo que pode acontecer é você receber olhares feios. O que importa isto diante de uma cascata de camarões ainda intocada e da oportunidade de escolher os melhores tomates? Nunca desmereça as vantagens de chegar primeiro.

                             O buffet, A Mesa Voadora, 1982

Porque a verdade é que tem muito paciente que acha que o umbigo dele é o centro do mundo, quando todo mundo sabe que é Bagé. Então o vivente ta com dinheiro na poupança, come todos os dias, tem uma amante chamada Suzete, e mesmo assim fica remoendo lá dentro, catando angústia como passarinho bicando bosta. Um bom joelhaço sacode as côsa e restabelece as prioridade. Afinal nestes tempos que estamos atravessando, meio de banda como Aero Willys em lodaçal, quem tem dinheiro para pagar uma análise devia se envergonhar de procurar um analista.

     Depoimento do Analista de Bagé, in A Velhinha de Taubaté, 1983

As Cobras eram publicadas no jornal Folha da Manhã

As Cobras eram publicadas no jornal Folha da Manhã

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Ontem assisti a “Alice no País das Maravilhas”, do Tim Burton, em 3D. Nessa primeira semana desde a estreia, eu havia ouvido tantas opiniões diferentes, especialmente negativas, a respeito do filme, que fui ao cinema sem nem saber o que esperar. Já sabia que o diretor havia viajado bastante (o que não me surpreendeu) e que certas coisas haviam decepcionado os fãs da história original. Acabei encontrando um filme quase de ação, bem diferente do esperado pelo público em geral.

Mesmo assim, não considero o filme um absurdo ou uma aberração. Na verdade, há vários pontos positivos, a começar pelos maravilhosos vestidos que Alice desfila. As paisagens também são lindas e as criaturas bizarras de Underland (não Wonderland, como originalmente) são muito bem feitas. Os numerosos personagens não aparecem tanto quanto poderiam, o que dá a sensação de que alguns só passam para marcar presença. Mas algumas vezes isso é o suficiente, como acontece com Absolem, a lagarta dublada por Alan Rickman (O Snape de Harry Potter) que participa de duas ou três cenas e consegue demonstrar sua sabedoria, com uma pequena grande ajuda da poderosa voz do ator. O Gato, dublado por Stephen Fry, é misterioso, assustador e adorável ao mesmo tempo.  O Chapeleiro Maluco  interpretado por Johnny Depp é bastante emocional e amigável. Não deixa de ser uma criatura estranha, portanto cai muito bem para o ator, que parece ter uma queda por esse tipo de personagem. A cena em que ele, a Lebre e o Gato “tomam chá” com Alice é uma das melhores do filme, talvez pelos diálogos desconexos e lições de moral doidas passadas pelo Chapeleiro. Helena Bonham Carter incorpora a Rainha Vermelha, e sua cabeça gigante nem chega a parecer algo tão absurdo dentro da história. Anne Hathaway aparece pouco como Rainha Branca, personagem que eu na verdade não consegui entender muito bem. Ao mesmo tempo em que ela é “boazinha”, parece   não gostar tanto assim da pessoa que é forçada a ser. Há ainda os gêmeos gordinhos e atrapalhados Tweedledee e Tweedledum, a corajosa e meiga Dormouse e o Coelho Branco sempre com seu relógio. E Mia Wasikowska, até então praticamente desconhecida do grande público, acabou combinando bem com a protagonista.  Com seu rosto meigo, cabelos loiros e olhos escuros, ela passa uma certa curiosidade ingênua característica da Alice original.

Mas o filme – sempre é bom lembrar – não se propõe a ser uma refilmagem do desenho da Disney ou  uma releitura do livro de Lewis Carroll. É uma história nova, na qual Alice retorna ao País das Maravilhas 13 anos depois (embora não se recorde com precisão da primeira vez, que acredita ter sido um sonho) e encontra o lugar devastado pelo domínio da malévola Rainha Vermelha. A mensagem passada acaba sendo de que nada é impossível e todos são, no fundo, um pouco doidos.

No fim, o pior do filme é mesmo a música cantada por Avril Lavigne nos créditos. Soa como se não tivesse sido feita para a voz dela, que parece gritar o tempo todo. Por sorte, durante o filme a trilha sonora é instrumental, e ótima.

Mia Wasikowska como Alice, chegando no País das Maravilhas

Mia Wasikowska como Alice, chegando no País das Maravilhas

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Um ano e três meses atrás, eu cheguei na PUC totalmente perdida, sem conhecer ninguém, sem saber direito do que se tratava esse tal de jornalismo. Só sabia que eu gostava de escrever e esse curso me proporcionaria várias oportunidades. Apesar dos vários protestos do meu avô, que não considerava essa uma escolha “boa o suficiente para o meu intelecto”, não consegui pensar em mais nada que eu poderia apreciar. Então resolvi tentar, mesmo sem ter certeza – afinal eu tinha apenas 17 anos e muito tempo pela frente.

Mas na primeira semana de aula todas as minhas dúvidas desapareceram. Primeiro porque eu conheci pessoas incríveis, alunos e professores, os quais valeriam a pena permanecer na faculdade só para conhecer melhor. Depois porque eu me apaixonei  logo de cara por esse ofício tantas vezes subestimado e criticado. Foi fácil amar o jornalismo. Todas aquelas histórias sobre grandes reportagens, toda a empolgação de conseguir um furo, todas as noites passadas em claro na redação para fechar a edição do dia. E ah, a redação. A redação deve ser um lugar mágico – nunca conheci a redação de um jornal, apenas de rádio – com pessoas correndo para todos os lados, fotógrafos discutindo com diagramadores, editores discutindo com repórteres, colunistas digitando sem parar… Todas as maravilhas dessa profissão tão retratada nos filmes e nos livros e, mais ainda, na minha mente.

Mas o jornalismo não é tão simples. Digo isso porque acredito fielmente num jornalismo sério, em notícias importantes, em hard news, em jornalismo investigativo e policial, em políticos com medo do que os jornais podem descobrir ou publicar. Talvez essa época já tenho passado para a minha profissão. Talvez ela nunca tenha existido. Talvez apenas nós, os estudantes, tenhamos sonhado tanto e talvez até acabemos nos decepcionando ao chegar em uma redação cheia de pessoas normais e sem discussões. Talvez os políticos falem sem receio com os repórteres, pois os jornais, dizem,  muitas vezes são seus parceiros.

Mas mesmo com tantos possíveis desapontamentos, continuamos. Ainda aparecemos nas aulas todos os dias e ainda tratamos todas as reportagens como se fossem as mais importantes de nossas vidas. Pelo menos eu o faço. Porque essa profissão é o suficiente, sim, para o meu intelecto. E muitas vezes eu penso ser demais para o meu intelecto. Porque sempre tem aquele momento em que a ideia não vem, em que o texto não fica bom, em que a fonte não responde e nós pensamos que tudo vai dar errado e não conseguiremos entregar o que escrevemos a tempo. Mas de alguma forma tudo parece dar certo no final. Quer dizer, por enquanto. Não que eu tenha medo do que vai acontecer daqui para frente. Muito pelo contrário – mesmo que eu me decepcione – eu mal posso esperar.

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fora da gaveta

Meu nome é Débora Fogliatto, eu tenho 18 anos e estudo Jornalismo na PUCRS. Atualmente estou no terceiro semestre e resolvi criar vergonha na cara e fazer um blog. Postarei aqui trabalhos e reportagens feitos para a faculdade, assim como qualquer texto que me venha na cabeça.

Eu adiei este momento por diversos motivos. Primeiro porque achava que não teria ideias boas o suficiente para atualizar o blog e deixá-lo tão bom quanto eu gostaria. Não queria publicar algo mediano só pela obrigação de escrever qualquer coisa. Depois porque me parece que ninguém realmente lê ou leva a sério blogs de estudantes de jornalismo, já que existem tantos. Mas eu vou arriscar, afinal há mais chances de lerem o que eu escrevo se eu realmente publicar meus textos do que se eu apenas guardá-los numa gaveta.

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